Exigências da UE podem mudar produção de animais para exportação

Regras mais rígidas sobre antimicrobianos devem ampliar a rastreabilidade e estimular a segregação de bovinos, suínos e aves destinados ao mercado europeu.

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As exigências da União Europeia sobre o uso de determinados antimicrobianos na produção animal podem acelerar mudanças na cadeia de exportação brasileira. Entre as principais medidas está a ampliação da segregação de animais, acompanhada de controles mais rigorosos sobre o histórico sanitário e os produtos utilizados durante a criação.

A avaliação é do Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Saúde Animal (Sindan). Segundo a entidade, o Brasil precisará comprovar de maneira mais precisa quais medicamentos e produtos foram utilizados nos animais destinados a mercados com protocolos sanitários mais restritivos.

Segregação de animais ganha importância

A segregação de animais deve se tornar uma ferramenta importante para atender às exigências de compradores internacionais. Na prática, será necessário identificar e separar os animais e lotes destinados a mercados específicos, além de manter registros capazes de comprovar o histórico sanitário.

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O desafio é diferente entre as espécies. Enquanto aves e suínos normalmente estão inseridos em sistemas produtivos mais integrados, a pecuária bovina possui uma cadeia mais fragmentada.

Nos bovinos, um mesmo animal pode passar por diferentes propriedades durante as etapas de cria, recria e engorda. Como o ciclo produtivo também é mais longo, aumenta a quantidade de informações que precisam ser registradas e preservadas.

De acordo com Gabriela Mura, diretora de Mercado e Assuntos Regulatórios do Sindan, essa característica torna mais difícil comprovar posteriormente todo o histórico sanitário de um bovino destinado a um mercado específico.

O produtor que optar por atender compradores com regras mais rígidas terá de controlar não apenas os produtos utilizados na propriedade, mas também manter documentação que permita comprovar esse histórico ao longo da cadeia.

Aves podem ter adaptação mais rápida

Na produção de aves, a implementação dos controles tende a ser menos complexa devido ao maior nível de integração existente em parte da cadeia produtiva.

As empresas podem acompanhar etapas como alimentação, manejo sanitário, criação, abate e processamento. Com isso, fica mais fácil registrar os produtos utilizados e direcionar determinados lotes para mercados que adotam protocolos específicos.

Os frigoríficos também podem precisar adaptar suas operações. Entre as possíveis mudanças estão a separação de fornecedores, lotes, abates e fluxos de produção, garantindo que os produtos destinados a cada país estejam de acordo com as respectivas exigências.

O Sindan aponta ainda que países como Argentina e Austrália avançaram mais rapidamente em mecanismos de rastreabilidade e controle.

Mudanças podem elevar o custo de produção

A criação de cadeias segregadas pode representar novos custos para produtores e empresas. Entre os gastos estão investimentos em identificação dos animais, registros, assistência técnica, alterações de manejo e controles adicionais.

Estimativas discutidas pelo setor indicam que, em determinados cenários, o impacto pode chegar a aproximadamente R$ 100 por animal.

O custo também envolve a necessidade de realizar investimentos antes de haver clareza sobre o valor adicional que o mercado estará disposto a pagar pelos produtos que cumprirem protocolos mais rigorosos.

A redução do uso de antimicrobianos, porém, não significa deixar os animais sem tratamento. O setor de saúde animal também trabalha no desenvolvimento e na utilização de alternativas relacionadas à prevenção de doenças, imunidade, manejo, nutrição e bem-estar.

Dados apresentados pelo Sindan mostram que a participação dos antimicrobianos no faturamento da indústria de saúde animal caiu de aproximadamente 17% em 2015 para 12% em 2025.

Com as novas exigências internacionais, a tendência é de maior necessidade de controle e rastreabilidade para que o Brasil consiga manter o acesso a mercados que adotam protocolos sanitários mais rigorosos.

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