O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), fez na noite desta segunda-feira (9) um discurso no plenário em defesa da análise da proposta que avalia o fim da escala 6×1 no Brasil.
“Já passou da hora de enfrentarmos essa questão, de discutirmos democraticamente soluções para que o nosso povo possa, nesta terceira década do século XXI, em meio à revolução tecnológica, dispor de mais tempo, de mais dignidade para desfrutar de uma economia que avança em direção não ao trabalho braçal, mas ao respeito pelo ser humano e pelo seu tempo de qualidade”, disse Motta.
O presidente da Casa comparou a pauta à criação da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), durante o governo de Getúlio Vargas. Segundo ele, na época o projeto sofreu represálias com argumentos de que quebraria a economia, mas acabou proporcionando o surgimento da classe trabalhadora e da classe média.
“Há quase um século, o presidente Getúlio Vargas criou a CLT e os direitos trabalhistas, a carteira de trabalho, e trouxe dignidade para os trabalhadores. Na época, os eternos pessimistas previram o caos, que o Brasil iria quebrar, que a economia não iria aguentar. Mas o que aconteceu foi justamente o contrário. Ali nasceu a classe trabalhadora, a classe média e um novo ciclo de formalização dos empregos, a criação de riqueza e um novo impulso que fortaleceu nossa economia e ao mesmo tempo superou uma dívida social histórica”, afirmou.
Motta também fez alusões à Lei Áurea, ao lado da deputada Benedita da Silva (PT-RJ). Ele relembrou que, durante a segunda metade do século XIX, a economia brasileira dependia da escravidão, até que os movimentos de libertação culminaram com a abolição.
“Os pregoeiros do caos, na ocasião, previram que o Brasil ia quebrar, que nada ia dar certo, mas o que aconteceu foi justamente o contrário. O Brasil venceu a vergonha e os brasileiros livres passaram a construir um país cada vez melhor. A liberdade foi a base do início da industrialização e de um novo ciclo de geração de riqueza e oportunidades que o Brasil do Império jamais poderia imaginar”, disse.
Após a trajetória histórica, Motta concluiu que o país se vê diante de um novo momento e afirmou que o Brasil é fruto do “suor do seu povo”.
“Essa é uma discussão que já começa tarde e, mais uma vez, aqueles que só veem a escuridão poderão apertar as sirenes do pessimismo. Mas eu quero garantir que nós conduziremos o tema com responsabilidade. Como no velho ditado, toda caminhada começa com um pequeno primeiro passo. Nós vamos começar essa grande caminhada agora, porque o Brasil precisa, porque o povo merece, porque é o certo a fazer, porque o Brasil está maduro para enfrentar a escala 6×1”, concluiu.
O presidente da Câmara convocou para a manhã de terça-feira (10) a reunião da CCJ, que elegerá presidente e vice da comissão e permitirá o início dos trabalhos do colegiado.