Sorrindo e chorando, tudo ao mesmo tempo, a atleta brasileira Bruna Moura se emocionou ao comentar sua participação na Olimpíada de Milano-Cortina 2026 nesta terça-feira (10).
Em entrevista ao “Sportv”, Bruna afirmou que fez “a prova da minha vida”. Ela ficou na 74º posição. À frente dela, a outra brasileira Eduarda Ribeira terminou a prova sprint classificatória no 72º lugar. Apenas as 30 primeiras colocadas avançam para a semifinal, mas com o resultado, o Brasil conquistou a melhor posição da modalidade no histórico em jogos olímpicos de inverno.
“Eu finalmente posso dizer que sou uma atleta olímpica. Eu tô muito feliz. Eu sei que eu não fui a melhor brasileira…meus parabéns para a Duda. Mas, sinceramente, não importa. Desculpa que eu não consegui colocar o Brasil no topo do ranking das nações ‘menores’, como eu gostaria, mas essa foi a prova da minha vida. Esperei tanto por isso, lutei tanto por isso. Foi um caminho tão difícil… e realizar isso agora. Eu tô muito feliz”, comemorou. Bruna participou de uma Olimpíada pela primeira vez.
Estreia brazuca
Nesta terça-feira (10), os primeiros atletas brasileiros estrearam nos Jogos Olímpicos de Inverno Milão-Cortina 2026, na disputa do sprint livre do esqui cross-country — no feminino e masculino.
Bruna Moura, Eduarda Ribera e Manex Silva foram eliminados ainda na fase classificatória.
Eduarda Ribera concluiu a prova na 72ª colocação, marcando 4min17s05, e foi a melhor sul-americana na prova, enquanto Bruna Moura apareceu logo atrás, em 74º lugar, com o tempo de 4min22s07.
Entre os homens, Manex registrou 3min25s48, desempenho que o colocou na 48ª posição e também fora da fase seguinte.
Apenas os 30 mais rápidos avançam às quartas de final da competição.
Time Brasil
Conhecida como Duda, Eduarda Ribera estreou na temporada justamente em Milão-Cortina. Apesar da ausência de competições recentes, a atleta teve destaque no Mundial de 2025 ao alcançar a melhor colocação já obtida por uma brasileira em provas de sprint em campeonatos mundiais: 68ª entre 121 competidoras.
Bruna Moura, por sua vez, fez sua estreia em Jogos após superar um episódio traumático. A atleta ficou fora de Pequim 2022 depois de sofrer um grave acidente quando se deslocava para o aeroporto, às vésperas da competição.
“Realmente, eu acho que o grito da minha chegada já descreve isso. É um grito da alma, é inacreditável. Depois de tudo que aconteceu… eu finalmente posso dizer que eu sou uma atleta Olímpica. Eu tô muito feliz”, celebrou após concluir sua estreia em Jogos Olímpicos.
Já Manex Silva, natural do Acre, chegou aos Jogos credenciado por marcas expressivas. Em Milão-Cortina, obteve o segundo melhor tempo do hemisfério Sul e, em janeiro, entrou para a história do esqui cross-country brasileiro ao bater o recorde nacional masculino: 81,36 pontos FIS no sprint livre da etapa da Copa do Mundo disputada em Oberhof, na Alemanha.
Com o resultado de hoje, Manex subiu 23 posições em comparação a sua última Olimpíada: em Pequim 2022, ele terminou o sprint em 71º.
Jogos Olímpicos de Inverno
Os Jogos Olímpicos de Inverno de Milão-Cortina 2026 marcam a 25ª edição do evento e acontecem entre 6 e 22 de fevereiro. A competição reunirá mais de 2.900 atletas de 92 Comitês Olímpicos, distribuídos em 16 modalidades de neve e gelo.
Será a terceira vez que a Itália recebe os Jogos, após as edições de Cortina d’Ampezzo, em 1956, e Turim, em 2006.
Esta edição também representa um marco para o Brasil. O país participa dos Jogos de Inverno pela décima edição consecutiva e terá sua maior delegação da história: 14 atletas, além de um reserva.
Desde a estreia até Pequim 2022, o Brasil já contou com 40 representantes — 27 homens e 13 mulheres — em nove modalidades diferentes. O melhor resultado brasileiro segue sendo o 9º lugar de Isabel Clark no snowboard cross, em Turim 2006.
Nas provas disputadas no gelo, o destaque é o 13º lugar de Nicole Silveira no skeleton, em Pequim 2022. O esqui alpino permanece como a única modalidade com presença brasileira em todas as edições dos Jogos Olímpicos de Inverno disputadas pelo país.