António José Seguro foi eleito presidente de Portugal em uma vitória que surpreendeu analistas políticos devido à sua trajetória política discreta. O colunista da CNN Brasil José Manuel Diogo classificou Seguro como um “presidente da República improvável”.
“A construção do seu caminho até a presidência da República é feita de um conjunto muito de coincidências, que talvez não fosse a fragmentação política, ela não teria acontecido, nem a sua candidatura, nem hoje a sua vitória”, explicou José Manuel Diogo.
Segundo o especialista, Seguro conseguiu unir forças políticas diversas contra um candidato de espectro político mais radical, obtendo 67% dos votos contra 33% de André Ventura, tornando-se o político mais votado da história de Portugal.
Um político de perfil discreto
O que torna a vitória de Seguro surpreendente é seu afastamento da vida política ativa na última década. O novo presidente português teve uma experiência limitada em cargos governamentais, tendo atuado apenas como ministro da presidência, o equivalente ao ministro da Casa Civil no Brasil, no governo de António Guterres entre 2001 e 2002.
“É um português que transita entre o atual presidente das Nações Unidas, António Guterres, e o atual presidente do Conselho Europeu, António Costa, mas que dentro do seu próprio país não tinha sido mais do que um discreto ministro”, destacou o colunista. Seguro é descrito como “um homem longe do marketing, longe do que são as mídias sociais, longe dos debates truculentos, um homem calmo, um homem longe das cidades, longe da burguesia”.
O papel do presidente em Portugal
José Manuel Diogo explica que, diferentemente do Brasil, o presidente da República em Portugal não possui poderes executivos diretos. “O presidente da República não tem poderes executivos, não tem ministérios, não gere orçamento”, esclareceu. O papel do presidente português é ser “um garante das instituições, da democracia, do magistério político”.
O especialista ressalta que o presidente português possui um importante poder: pode dissolver o Parlamento e convocar eleições gerais quando julgar necessário. “O último presidente da República, Marcelo Rebelo de Souza, isso aconteceu três vezes”, destaca José Manuel Diogo.
A transição presidencial ocorrerá até 9 de março, e o encontro já realizado entre Seguro e o atual presidente Marcelo Rebelo de Souza indica, segundo o colunista, “uma transição focada na estabilidade política”. O novo presidente é descrito como um “institucionalista”, um político “à maneira antiga”, características que, segundo o especialista, foram determinantes para sua escolha pelos eleitores portugueses em um momento de polarização política na Europa.