O Departamento de Justiça dos Estados Unidos divulgou mais alguns nomes contidos nos arquivos relacionados a Jeffrey Epstein, magnata condenado por abuso sexual.
Isso acontece após pressão de parlamentares que tiveram acesso e analisaram versões de diversos documentos que não estavam censurados.
O deputado Thomas Massie, em entrevista à jornalista Kaitlan Collins, da CNN, na noite de segunda-feira (9), afirmou que o Departamento de Justiça havia ocultado as identidades de várias pessoas citadas em um documento do FBI, a agência federal de investigações dos EUA, de 2019 que listava os supostos cúmplices de Epstein.
O vice-procurador-geral Todd Blanche, em uma troca de mensagens com Massie também na noite de segunda, afirmou que o Departamento de Justiça “não está escondendo nada”.
A CNN está tentando entrar em contato com as pessoas mencionadas nas conversas de Blanche com Massie.
O Departamento de Justiça não explicou por que as edições foram feitas de forma tão confusa e inconsistente, nem esclareceu por que outros indivíduos além de Epstein nunca foram acusados formalmente, limitando-se a dizer que não havia provas suficientes para processar qualquer outra pessoa.
Em uma audiência no Congresso no ano passado, o diretor do FBI, Kash Patel, afirmou que não havia informações confiáveis que comprovassem que Epstein traficava meninas para outras pessoas.
“Se houvesse provas suficientes, eu teria apresentado o caso ontem mesmo — que ele traficava pessoas para outros indivíduos. E as informações que temos, novamente, são limitadas”, disse Patel na época.
Uma minuta de acusação que nunca foi formalizada contra Epstein, mas divulgada pelo Departamento de Justiça na semana passada, alegava que, de 2001 a 2005, Epstein e três réus não identificados participaram de uma conspiração para “aliciar mulheres menores de 18 anos” para se envolverem em “conduta lasciva” em troca de dinheiro “para satisfazer os interesses libidinosos de Jeffrey Epstein”.
As identidades dos réus não foram divulgadas publicamente.
Em vez de apresentar a acusação — que incluía dezenas de crimes — contra Epstein e os três indivíduos, os promotores federais, em 2007, firmaram um acordo de não persecução penal com Epstein, que evitou acusações federais com cumprimento de 13 meses de prisão estadual por acusações de prostituição.
Em uma revisão de 2020, o Departamento de Justiça concluiu que o ex-procurador dos EUA para o Distrito Sul da Flórida, Alex Acosta, havia demonstrado “falta de bom senso” no acordo, mas não constatou que Acosta tivesse cometido qualquer conduta profissional inadequada.