
Trabalhadores veem na aprovação da PEC pelo Senado a possibilidade de passar mais tempo com a família, cuidar da saúde e estudar; mudança prevê redução gradual da jornada semanal.
A aprovação da proposta que prevê o fim da escala de trabalho 6×1 pelo Senado Federal, na quarta-feira (14), renovou a esperança de trabalhadores que há anos enfrentam jornadas de seis dias por semana e apenas um de descanso. A mudança prevista na Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019 poderá ampliar o tempo disponível para a família, o lazer, os estudos e os cuidados com a saúde.
No Rio de Janeiro, a garçonete Adrielle Barbosa de Aquino, de 27 anos, conhece de perto as dificuldades dessa rotina. Mãe de duas crianças, ela trabalha de segunda a sábado em um restaurante no centro da cidade e, há quase dez anos, não tem dois dias de folga por semana.
Com apenas o domingo livre, Adrielle precisa concentrar nesse dia as tarefas pessoais e familiares. Consultas médicas dos filhos, por exemplo, podem exigir faltas ao trabalho durante a semana e resultar em descontos no salário.
A trabalhadora espera que a mudança permita organizar melhor a rotina e atender às necessidades da família sem precisar abrir mão de parte da renda.
Mais tempo para a família e para a saúde
A auxiliar administrativa Yasmin Nascimento, que trabalha em uma clínica na escala 6×1, também comemorou a aprovação da proposta. Para ela, um dia adicional de descanso poderá ser aproveitado de diferentes maneiras, de acordo com as necessidades de cada pessoa.
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LER NOTÍCIA →Yasmin considera que o tempo livre poderá ser dedicado à família, aos estudos ou até mesmo a outra atividade profissional.
A ajudante de cozinha Cristiane Wandermuren, de 56 anos, também relata as dificuldades de trabalhar praticamente a vida inteira com apenas uma folga semanal. Depois de atuar como auxiliar de serviços gerais, ela passou a trabalhar na cozinha.
Cristiane afirma que gostaria de aproveitar um segundo dia de descanso para cuidar da saúde e conviver mais com os netos. Segundo ela, a folga aos domingos dificulta o acesso a consultas médicas, que normalmente são realizadas durante a semana.
Uma pesquisa realizada pela Nexus em fevereiro de 2026 apontou que 73% dos brasileiros apoiam o fim da escala 6×1.
Quem já deixou a escala 6×1 relata melhora
Simone Cunha de Oliveira trabalhou durante 15 anos na escala 6×1. Atualmente, empregada em uma escola, ela tem dois dias de folga por semana e afirma que a mudança melhorou sua qualidade de vida.
Com mais tempo disponível, Simone consegue descansar e resolver compromissos pessoais. Ela também espera que a irmã, que trabalha como vendedora de automóveis, tenha a oportunidade de deixar a escala de seis dias de trabalho.
A aposentada Luciana Machado de Oliveira, de 65 anos, também passou grande parte da vida trabalhando seis dias por semana. Somente depois de se aposentar conseguiu uma rotina com mais tempo para si e para a família.
Apesar da experiência positiva, Luciana manifesta preocupação com a possibilidade de trabalhadores precisarem ampliar a duração diária do expediente ou terem redução de renda em razão da mudança.
Quando o fim da escala 6×1 começa a valer?
De acordo com o texto aprovado pelo Senado, a implementação da nova jornada será gradual e começará 60 dias após a promulgação da emenda constitucional.
A primeira etapa prevê a adoção da escala 5×2, com cinco dias de trabalho e dois de descanso, além da redução da jornada semanal de 44 para 42 horas.
Doze meses depois dessa primeira redução, a jornada deverá cair de 42 para 40 horas semanais, mantendo o modelo de cinco dias de trabalho e dois de descanso. A transição completa está prevista para ocorrer em 14 meses após a promulgação.
Caso a emenda seja promulgada ainda em outubro de 2026, as primeiras mudanças deverão entrar em vigor em dezembro deste ano.
Trabalhadores terceirizados da administração pública terão regras de transição diferenciadas.
Como ficará a jornada durante a transição?
Entre o segundo e o 14º mês após a promulgação, o empregador deverá distribuir as duas horas semanais que excedem a jornada de 40 horas ao longo dos cinco dias de trabalho.
Se essa divisão ocorrer igualmente, o expediente será de oito horas e 24 minutos por dia, durante cinco dias da semana.
Concluída a transição, a proposta estabelece o limite de oito horas diárias e 40 horas semanais, distribuídas em cinco dias. A realização de trabalho além desses limites dependerá do pagamento de horas extras, conforme as regras previstas.
O texto também prevê que uma lei complementar poderá estabelecer medidas transitórias para reduzir os impactos da mudança sobre microempreendedores individuais (MEIs), microempresas e empresas de pequeno porte.
A proposta representa uma expectativa de mudança para trabalhadores que buscam mais tempo de descanso e convivência familiar. A efetivação das novas regras, porém, depende da promulgação da emenda constitucional e do cumprimento do cronograma estabelecido.
Com informaçoes da Agencia Brasil