Musk põe colonização de Marte de lado e agora quer construir cidade na Lua

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A ambição de Elon Musk de um dia colonizar Marte parece ter ficado em segundo plano diante de um objetivo mais próximo e alcançável – enviar humanos para viver na lua.

Em um anúncio publicado no X (antigo Twitter) no último domingo (8), o bilionário disse que sua empresa SpaceX agora mudou suas prioridades para construir “uma cidade em crescimento próprio na Lua”, argumentando que isso poderia ser alcançado em menos de uma década, em comparação com mais de 20 anos para um plano semelhante em Marte.

“A prioridade principal é garantir o futuro da civilização e a Lua é mais rápida”, disse ele. “Só é possível viajar para Marte quando os planetas se alinham a cada 26 meses (viagem de seis meses), enquanto podemos lançar para a Lua a cada 10 dias (viagem de 2 dias).”

Não está exatamente claro o que Musk quis dizer com uma “cidade em crescimento próprio” ou se seus planos estão alinhados com um plano lunar semelhante proposto pela Nasa. A CNN Internacional entrou em contato com a SpaceX para um pronunciamento.

Musk afirmou que a empresa continua comprometida em construir uma cidade em Marte e começará a fazê-lo em cerca de cinco a sete anos. Ainda em maio passado, Musk havia dito que a SpaceX estava trabalhando para pousar sua primeira nave estelar não tripulada em Marte já no final de 2026.

A redução de Musk em suas previsões anteriores de viagens espaciais veio após a SpaceX adquirir a xAI (empresa de inteligência artificial) na semana passada, em uma medida que irá fundir duas de suas empresas mais ambiciosas na empresa privada mais valiosa do mundo.

Impulsionador Super Heavy da SpaceX transportando a espaçonave Starship decola em seu 10º voo de teste na plataforma de lançamento da empresa em Starbase, Texas, EUA, em 26 de agosto de 2025 • Steve Nesius/Reuters
Impulsionador Super Heavy da SpaceX transportando a espaçonave Starship decola em seu 10º voo de teste na plataforma de lançamento da empresa em Starbase, Texas, EUA, em 26 de agosto de 2025 • Steve Nesius/Reuters

Por mais de uma década, Musk tem feito questão de divulgar seu foco absoluto em estabelecer um assentamento em Marte, dizendo que esse tem sido o objetivo orientador da SpaceX desde a fundação da empresa em 2002.

Em discursos proferidos em conferências e eventos aeroespaciais para funcionários da SpaceX, ele detalhou planos ambiciosos — embora duvidosamente viáveis — para estabelecer uma presença humana permanente no planeta vermelho, afirmando que tal passo é necessário para garantir que uma colônia humana possa sobreviver a um possível apocalipse.

A Nasa, por outro lado, tem focado em suas ambições lunares, especialmente desde o primeiro mandato do presidente Donald Trump, quando o então vice-presidente Mike Pence declarou abruptamente que os Estados Unidos devolveriam seus astronautas à Lua até 2024.

O plano ousado não deu certo, e a Nasa está atualmente trabalhando para trazer astronautas de volta à superfície lunar até 2028 — o prazo que a agência vinha alcançando na era Obama. Esse retorno marcará a primeira vez que humanos pisarão na Lua desde o fim do programa Apollo em 1972.

Musk já criticou esses esforços no passado, aludindo ao programa lunar da Nasa, chamado Artemis, como uma “distração” no X no início do ano passado.

GALERIA – Veja o que a Nasa “encontrou” em Marte

“Não, vamos direto para Marte”, escreveu na época. “A Lua é uma distração.”

A aparente mudança de Musk para focar na lua ocorre enquanto o bilionário da tecnologia – cujas empresas recebem enormes contratos governamentais – adotou uma postura muito mais vocal sobre política do que em anos anteriores. Ele investiu 290 milhões de dólares na eleição presidencial dos EUA, apoiando Donald Trump e conseguindo um cargo na Casa Branca, apenas para ter um desentendimento abrupto com o presidente. Ele voltou a conquistar suas boas graças no último outono.

Enquanto a Nasa construiu o foguete e a espaçonave projetados para lançar astronautas da Terra e para a região lunar, a SpaceX tem um contrato de quase 3 bilhões de dólares para construir o módulo lunar da agência federal, ou seja, o veículo que transportará os tripulantes de suas espaçonaves até a superfície lunar.

A SpaceX planeja usar seu sistema Starship para essa tarefa — a maior espaçonave e sistema de foguetes já construídos, e o veículo que Musk diz ser feito especialmente para levar pessoas a Marte.

A Starship, no entanto, ainda está nos estágios iniciais de desenvolvimento e frequentemente explodiu durante os testes. A espaçonave nunca viajou para órbita nem realizou um voo operacional, e espera-se que a SpaceX estreie uma nova linha de protótipos de Starship já no início de março.

A Starship é extremamente ambiciosa, e seu papel no programa lunar da Nasa também tem sido motivo de controvérsia.

Sean Duffy, secretário de transportes de Trump, que também atuou brevemente como administrador interino da Nasa no ano passado, criticou a SpaceX em outubro — alertando que a empresa não parecia estar no caminho certo para ter seu módulo lunar pronto a tempo para a missão de pouso lunar da Nasa, enquanto a agência espacial corre para superar o programa chinês de exploração lunar.

Duffy ameaçou notavelmente afastar a SpaceX da missão de pouso na Lua, chamada Artemis III, e disse que avaliaria se o principal concorrente da SpaceX, o Blue Origin, conseguiria realizar o trabalho mais rapidamente.

Autoridades da Nasa não revisitaram abertamente o contrato do módulo lunar Artemis III desde que o recém-empossado administrador da agência, o bilionário CEO de tecnologia Jared Isaacman, foi confirmado para o cargo principal em dezembro. Isaacman é considerado um aliado de Musk, já que pagou duas vezes para voar em cápsulas da SpaceX até a órbita terrestre.

A afirmação de Musk de que a SpaceX agora focará na exploração lunar ocorre enquanto a Nasa se prepara para lançar sua primeira missão tripulada do programa Artemis, chamada Artemis II.

Essa missão está programada para lançar quatro astronautas em uma viagem que dará a volta à Lua, mas não irá pousar nela, servindo como um pioneiro para a mais complexa missão de pouso Artemis III.

O Artemis II está programado para ser lançado já em março.





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