BC reduz Selic para 13,75% ao ano pela quinta vez

Copom corta a taxa básica em 0,25 ponto percentual, mas mantém cautela diante das incertezas externas e dos riscos para a inflação.

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu, por unanimidade, reduzir a Taxa Selic em 0,25 ponto percentual, de 14% para 13,75% ao ano. Este é o quinto corte consecutivo dos juros básicos da economia.

A decisão já era esperada pelo mercado financeiro. Segundo o comunicado do Banco Central, o cenário externo continua incerto, principalmente devido aos conflitos armados no Oriente Médio e às dúvidas sobre a condução da política monetária em algumas economias avançadas.

O BC também destacou que o ambiente internacional tem sido marcado por maior volatilidade nos preços de ativos e de commodities, o que exige cautela das economias emergentes.

A Selic havia permanecido em 15% ao ano entre junho de 2025 e março de 2026, atingindo o maior patamar em quase duas décadas. Em abril, o Copom iniciou a sequência de cortes diante da desaceleração da inflação.

A reunião ocorreu ainda com duas vagas na diretoria do Banco Central. Os mandatos de Renato Gomes, diretor de Organização do Sistema Financeiro, e Diego Guillen, diretor de Política Econômica, terminaram no fim de 2025. Até o momento, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não encaminhou ao Congresso as indicações para substituí-los.

Inflação continua no centro das decisões

A Selic é o principal instrumento utilizado pelo Banco Central para controlar a inflação, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).

Em agosto, o IPCA registrou deflação de 0,32%, o menor resultado em quatro anos. No acumulado de 12 meses, a inflação caiu de 4,44% em julho para 4,22% em agosto.

Os alimentos também ajudaram na desaceleração dos preços, com queda de 0,34% no mês. O início do fenômeno El Niño, porém, pode pressionar os preços dos alimentos nos próximos meses e representar uma dificuldade adicional para a política monetária.

Desde janeiro de 2025, o Brasil adota o sistema de meta contínua de inflação. A meta definida pelo Conselho Monetário Nacional é de 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Assim, o limite inferior é de 1,5% e o superior, de 4,5%.

Nesse modelo, a inflação acumulada em 12 meses é analisada mês a mês em relação à meta. Em setembro de 2026, por exemplo, é considerada a inflação acumulada desde outubro de 2025. No mês seguinte, o período de comparação avança para novembro de 2025.

No último Relatório de Política Monetária, divulgado no fim de junho, o Banco Central havia elevado de 3,9% para 5,2% a projeção para o IPCA de 2026. A previsão será revisada diante da recente desaceleração da inflação, e a próxima edição do documento está prevista para o fim deste mês.

Já o mercado financeiro prevê inflação de 4,9% neste ano, segundo o boletim Focus. A projeção permanece acima do teto da meta, de 4,5%. Antes do início da guerra no Oriente Médio, a estimativa era de 3,95%.

O Banco Central também afirmou que os dados recentes indicam uma moderação gradual da atividade econômica, especialmente nos setores mais cíclicos. Apesar disso, a instituição apontou que a atividade permanece resiliente e o mercado de trabalho continua aquecido.

Juros menores podem estimular crédito e consumo

A redução da Selic tende a diminuir o custo do crédito e pode estimular o consumo e a produção. Por outro lado, juros menores reduzem o efeito de contenção sobre a inflação.

No último Relatório de Política Monetária, o Banco Central elevou para 2% a previsão de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2026.

A projeção do mercado é mais baixa. De acordo com o boletim Focus, os analistas estimam crescimento de 1,89% para a economia brasileira neste ano. Quatro semanas antes, a previsão era de 1,98%.

A Selic também serve como referência para as demais taxas de juros da economia e está relacionada às operações com títulos públicos no Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic).

Quando os juros sobem, o crédito fica mais caro e o incentivo à poupança aumenta, ajudando a reduzir a demanda e as pressões sobre os preços. Com a redução da taxa, o crédito tende a ficar mais barato, favorecendo o consumo e os investimentos, mas com menor efeito de contenção sobre a inflação.

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