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Dinheiro e reinserção de presos são destaques do programa que entrega a 13ª escola reformada

Foi realizada na manhã desta terça-feira, dia 5 de abril, a entrega técnica da reforma da Escola Estadual Joelina de Almeida Xavier, localizada no bairro Jardim Guanabara, em Campo Grande, 13ª instituição de ensino reformada pelo programa “Revitalizando a Educação com Liberdade”. A solenidade contou com a presença do presidente do Tribunal de Justiça de MS, Des. Carlos Eduardo Contar, entre outras autoridades.

Com a conclusão desta obra, já são mais de R$ 3 milhões de recursos dos presos investidos na reforma geral de escolas. Além disso, em oito anos, os cofres públicos economizaram mais de R$ 11 milhões. Os valores são resultantes do trabalho realizado por reeducandos do regime semiaberto de Campo Grande. Todo preso desconta 10% de seu salário que vai para um caixa que posteriormente é convertido em material de construção para as escolas.

No total, nesta escola foram investidos R$ 680 mil para o custeio de todo o material necessário para a reforma hidráulica e elétrica do prédio, pintura completa, instalação de nova cobertura metálica, construção de uma biblioteca, de um local apropriado para armazenar alimentos, reforma de banheiros, jardinagem etc.

O trabalho é realizado em parceria com a Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário (Agepen-MS), Conselho da Comunidade e a Secretaria de Educação do Estado de MS (SED), entre outros parceiros, que oferecem formação profissional e até mais estrutura, como bibliotecas e ar condicionado.

A entrega técnica que contou com a presença do reeducando, autoridades e alunos, foi conduzida pela própria diretora da instituição de ensino, Rose Helena Padoa Barbosa, a entrega técnica começou com a apresentação do projeto “Aurora”. Janaína Nascimento Barbosa Santos, reeducanda do projeto, deu seu testemunho a todos os presentes, em especial aos estudantes da escola que acompanhavam a solenidade. “Crime nenhum compensa ou compra o direito de liberdade. Você não poder ir e vir, saber se é dia ou noite, abrir a janela, é muito degradante. A educação é a única ferramenta capaz de impedir essa realidade, de transformar a vida de vocês. Então não deixem a escola, estudem”.

A palavra, então, foi passada ao juiz Albino Coimbra Neto, idealizador do projeto “Revitalizando a Educação com Liberdade” e titular da 2ª Vara de Execução Penal de Campo Grande. “Tem uma frase que gosto muito que diz ‘poder é a aptidão humana de agir em conjunto’. E aqui, tudo o que foi feito, foi a partir da conjunção de várias pessoas que fazem da educação e da questão prisional, duas das maiores mazelas atuais, uma prioridade para melhorar a situação do nosso país. Essas duas mazelas se juntam aqui, a partir de pessoas, para uma resolver o problema da outra”, contemplou o magistrado.

Ao final, foi ofertado a todos os presentes um lanche produzido por outro projeto do TJMS, o “Padaria Liberdade”, uma padaria instalada no Centro Penal Agroindustrial da Gameleira onde reeducandos recebem a oportunidade de aprender esse ofício.

Também estiveram presentes na entrega o Des. Luiz Gonzaga Mendes Marques, supervisor da COVEP/GMF/MF, as desembargadoras Elizabete Anache e Jaceguara Dantas da Silva, bem como as magistradas Lídia Geanne Ferreira e Cândido, Mayara Luiza Schaefer Lermen e Larissa Ribeiro Fiuza. Igualmente participaram da solenidade o procurador do Ministério Público do Trabalho em MS, Hiran Meneghelli, o diretor do presídio semiaberto da Gameleira, Adiel Rodrigues Barbosa, o gerente de educação do SENAI, Rogaciano Adão Canhete, e o empresário parceiro do projeto, Beto Pereira.

Saiba mais – O programa “Revitalizando a Educação com Liberdade” do TJMS conta com diversas parcerias públicas e privadas com o objetivo de promover a reforma de escolas públicas da Capital com mão de obra carcerária e com o valor arrecadado com o desconto de cada preso que trabalha via convênio em Campo Grande. O projeto, portanto, destina não apenas o trabalho do preso, mas também o dinheiro deste, para a revitalização de instituições públicas, as quais sofrem com a falta de infraestrutura adequada.

Nesta 13ª revitalização, que iniciou em novembro do ano passado e contou com o trabalho de 25 reeducandos, houve a reforma da parte hidráulica, elétrica (com preparação para instalação de ar condicionado), pintura completa, construção de bancos, reforma de banheiros e jardinagem.

Foi feita também a construção de uma cobertura metálica única para todo o pátio da escola. Embora seja uma instituição de ensino de tempo integral, os alunos não tinham onde almoçar, de forma que precisavam ficar na sala para fazer a refeição. “A ampliação do pátio pôde proporcionar a eles um refeitório, onde agora eles podem sair durante o período do almoço, socializarem, e isso tudo só tende a melhorar a qualidade do atendimento aos nossos estudantes e motivá-los cada vez mais a estarem presentes na escola”, ressaltou a diretora da escola.

Outras diversas melhorias foram implantadas, como reforma integral da cozinha e a construção de uma biblioteca nova. Conforme explicado pela diretora, antes os livros ficavam em caixas e eram lidos na sala de aula, contudo, com a biblioteca os alunos ganham um novo espaço mais apropriado para leitura, aprendizado, pesquisas e aprimoramento da educação.

Vale ressaltar que os parceiros do Projeto foram fundamentais nesta obra, entre eles o Senai, que ofertou vários cursos aos detentos, e o Ministério Público do Trabalho, que doou os recursos necessários para a construção da biblioteca.

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