O crescimento do endividamento ocorre enquanto os Estados Unidos continuam gastando mais do que arrecadam. Em 2025, o país destinou cerca de US$ 954 bilhões à defesa, segundo o Instituto Internacional de Estudos para a Paz de Estocolmo (SIPRI). O valor correspondeu a aproximadamente 37% de todo o gasto militar mundial.
Para 2026, a expectativa é que as despesas militares americanas ultrapassem US$ 1 trilhão.
Além disso, a guerra contra o Irã já havia custado US$ 37,5 bilhões aos Estados Unidos até 21 de julho de 2026, de acordo com o secretário de Defesa americano, Pete Hegseth. O Pentágono também solicitou ao Congresso mais US$ 67,1 bilhões para financiar a guerra e outras despesas militares.
Juros aumentam pressão sobre as contas públicas
O presidente americano Donald Trump tem defendido a redução dos gastos públicos e adotado medidas para diminuir despesas da máquina federal, incluindo cortes de funcionários, programas de agências e ajuda externa.
Mesmo com essas iniciativas, o governo continua recorrendo à emissão de títulos públicos para financiar a diferença entre receitas e despesas.
O problema é que o custo desse financiamento aumenta quando as taxas de juros sobem. Na terça-feira (18), o rendimento do título do Tesouro americano de 30 anos chegou a 5,34%, maior nível desde 2007.
Esse rendimento representa o retorno exigido pelos investidores para emprestar dinheiro ao governo americano por três décadas.
Os juros da dívida já ocupam uma posição de destaque no orçamento federal. Nos primeiros dez meses do ano fiscal de 2026, os gastos com juros superaram as despesas com o Medicare, programa de saúde voltado principalmente para idosos. Com isso, os juros passaram a representar a segunda maior despesa federal, atrás apenas da Previdência Social.
A alta dos rendimentos dos títulos também pode afetar consumidores e empresas. Como os Treasuries servem de referência para diversas taxas da economia americana, financiamentos imobiliários, empréstimos para veículos e crédito empresarial podem ficar mais caros.
Tesouro amplia recompra de títulos
Diante da pressão no mercado, o Departamento do Tesouro anunciou na quarta-feira (19) que pretende mais que dobrar o tamanho de algumas operações de recompra de títulos de longo prazo.
O valor, que era de US$ 2 bilhões por operação, passará para pelo menos US$ 4 bilhões.
A recompra é utilizada pelo Tesouro como instrumento de gestão da dívida. O governo compra de volta títulos que estão nas mãos dos investidores para ajudar a melhorar a liquidez e o funcionamento do mercado.
Após o anúncio, o rendimento do título americano de 30 anos recuou para aproximadamente 5,18%.
Por que a dívida dos EUA cresce?
O endividamento americano é resultado de décadas de déficits orçamentários. Quando o governo federal gasta mais do que arrecada, precisa buscar recursos no mercado para cobrir a diferença.
A dívida aumentou de forma significativa durante a pandemia de Covid-19, período em que o governo ampliou os gastos para sustentar a economia.
Nos anos seguintes, o crescimento das despesas e os cortes de impostos aprovados durante o governo Trump também contribuíram para o avanço do endividamento.
Desde 2017, a dívida americana mais que dobrou. Desde o início do segundo mandato de Trump, em janeiro de 2025, o estoque aumentou aproximadamente US$ 3,8 trilhões, segundo a Reuters.
EUA se aproximam do limite da dívida
O governo americano também se aproxima de um novo debate sobre o teto da dívida. Atualmente, o limite legal está em US$ 41,1 trilhões.
O teto é estabelecido pelo Congresso e pode ser elevado, suspenso ou abolido pelos parlamentares.
De acordo com uma estimativa do Bipartisan Policy Center, o governo dos Estados Unidos poderá atingir o limite entre o fim do inverno e meados do verão de 2027.
A marca de US$ 40 trilhões, portanto, deixa uma margem menor até o atual teto legal.
Apesar do recorde, o valor da dívida, isoladamente, não significa que os Estados Unidos estejam próximos de uma crise. Entre os principais pontos acompanhados por economistas e investidores estão a evolução do endividamento, a capacidade do governo de pagar os juros e a disposição do mercado em continuar financiando o país.
Com informaçoes G1