Fabricantes chineses apresentaram máquinas capazes de atuar em logística, fábricas e residências durante uma conferência de robótica em Pequim.
Mais de 300 empresas participam da Conferência Mundial de Robótica, em Pequim, na China, onde fabricantes de robôs humanoides demonstraram aplicações que vão desde a separação de encomendas e montagem de produtos até tarefas domésticas e apresentações acrobáticas.
O evento começou nesta quarta-feira (19) e segue até domingo. Segundo os organizadores, mais de 2 mil itens estão em exposição e mais de 150 produtos foram lançados durante a conferência.
A feira acontece em um momento de forte interesse dos investidores pela indústria de robôs humanoides, considerada pela China uma área estratégica para o desenvolvimento tecnológico e industrial.
Robôs humanoides ganham espaço na indústria
Durante as demonstrações, empresas mostraram robôs realizando atividades em ambientes de logística e manufatura. A Leju, por exemplo, apresentou máquinas movimentando e separando caixas e pequenos objetos.
Segundo Zhang Dapeng, vice-presidente adjunto da empresa, robôs da companhia já são utilizados por fábricas europeias e montadoras chinesas para transportar caixas e componentes.
A Robotera também apresentou um equipamento capaz de classificar encomendas. De acordo com um representante da empresa, o robô é utilizado desde o ano passado em instalações logísticas dos correios da China.
A companhia informou ainda que possui mais de 100 robôs destinados à separação de encomendas distribuídos em 15 armazéns no país.
Robôs já são testados em fábricas
A DexForce exibiu humanoides trabalhando em uma linha de montagem e embalando celulares. As máquinas estão em operação desde o início deste ano em uma fábrica da Lens Technology, empresa chinesa que fornece telas sensíveis ao toque e outros componentes para companhias como Apple e Huawei.
Nicole Yang, representante da DexForce, afirmou que os robôs possuem precisão na ordem de milímetros e conseguem identificar e corrigir problemas durante o processo, como o posicionamento inclinado de um celular.
A Lumos Robotics também já utiliza robôs na montagem de módulos em sua fábrica e pretende ampliar a aplicação para a etapa de montagem final, segundo o diretor-executivo Yu Chao.

Testes em residências avançam
A X Square Robot, especializada em robôs para tarefas domésticas, também apresentou seus planos de expansão. A empresa informou que o período mais longo de testes realizado até agora durou um mês.
Neste ano, a companhia pretende testar seus robôs em centenas de residências. A expectativa é iniciar uma comercialização gradual dos equipamentos no próximo ano.
Para Mike Nielsen, diretor de marketing da norte-americana RealSense, o avanço do setor dependerá da capacidade das empresas de colocar os robôs em ambientes reais de produção.
A RealSense, uma das poucas empresas estrangeiras presentes na conferência, afirmou que está formando parcerias comerciais na China. Nielsen classificou o país como um mercado estratégico e destacou o crescimento da tecnologia humanoide.
Executiva da Nvidia visita conferência
A conferência também recebeu a visita inesperada de Madison Huang, executiva sênior da Nvidia e filha de Jensen Huang, presidente-executivo da fabricante de chips.
Durante a visita, Huang acompanhou demonstrações de robôs realizando chutes e coreografias de dança. Depois, esteve no estande da RealSense para conversar sobre os sensores utilizados nos equipamentos.
Ela supervisiona o marketing das plataformas Omniverse e de robótica da Nvidia, softwares voltados à simulação e aos testes de sistemas de inteligência artificial capazes de interagir com o mundo físico.
A presença da executiva ocorreu em um contexto de tensões entre Estados Unidos e China, incluindo restrições norte-americanas à exportação de chips de inteligência artificial mais avançados da Nvidia para o mercado chinês.
Na abertura da conferência, Xin Guobin, vice-ministro da Indústria e Tecnologia da Informação da China, afirmou que a robótica se tornou uma força importante para o desenvolvimento econômico e social do país.
Enquanto as demonstrações chamam a atenção do público, empresas chinesas ampliam os testes de robôs humanoides em fábricas, centros logísticos e residências, aproximando a tecnologia de aplicações comerciais em larga escala.