
Levantamento da Emater/RS-Ascar mostra forte redução no número de famílias que comercializam leite no estado entre 2015 e 2025.
Mais de 55 mil produtores abandonaram a comercialização de leite no Rio Grande do Sul entre 2015 e 2025. O dado consta em levantamento da Emater/RS-Ascar e evidencia uma mudança significativa no perfil da pecuária leiteira gaúcha.
A pesquisa ouviu 571 famílias em 385 municípios para identificar os principais fatores que contribuíram para a saída da atividade.
O baixo preço recebido pelo leite foi apontado por 79,3% das famílias entrevistadas. Em seguida aparece o custo dos insumos, citado por 66,7% dos produtores.
Rotina, mão de obra e sucessão pesam na decisão
Além das questões financeiras, as condições de trabalho dentro das propriedades também tiveram peso importante.
A rotina considerada pesada foi mencionada por 66,4% das famílias. Já a falta de mão de obra familiar apareceu em 61,3% dos casos.
Outro fator relacionado à continuidade das propriedades foi o desinteresse dos filhos pela atividade, citado por 37,8% dos entrevistados. O resultado evidencia o impacto da sucessão familiar sobre o futuro da produção de leite.
Entre as famílias que deixaram a atividade, 79,8% afirmaram que não pretendem retornar à pecuária leiteira.
Apesar da redução no número de produtores, a produção pode permanecer concentrada em propriedades maiores e com maior nível de tecnificação.
A diminuição das famílias envolvidas na atividade, porém, também tem reflexos sobre outros segmentos da cadeia produtiva, como cooperativas, laticínios, transporte e comércio.
Os dados mostram ainda que aumentar a produtividade, isoladamente, não é suficiente para garantir a permanência das famílias na atividade. O preço recebido pelo leite, os custos de produção, a disponibilidade de mão de obra, a qualidade de vida e a sucessão familiar estão entre os fatores que influenciam diretamente essa permanência.