Acidente ocorrido em Vinhedo, em agosto de 2024, matou 62 pessoas. Acusação aponta falhas de manutenção e decisões administrativas que teriam comprometido a segurança.
A Justiça Federal recebeu a denúncia do Ministério Público Federal (MPF) contra 12 pessoas ligadas à Voepass pela queda do avião que matou 62 pessoas em Vinhedo, no interior de São Paulo, em 9 de agosto de 2024. Com a decisão, os acusados passam à condição de réus no processo criminal.
A aeronave, que realizava o voo PTB 2283, havia decolado de Cascavel, no Oeste do Paraná, com destino a Guarulhos, na Região Metropolitana de São Paulo. Todos os passageiros e tripulantes morreram no acidente.
Entre os denunciados estão integrantes da alta administração da companhia, diretores, ocupantes de cargos de chefia e dois funcionários que, segundo o MPF, teriam participação direta nos fatos investigados.
Quem são os 12 réus no caso Voepass
A denúncia aceita pela Justiça Federal inclui os seguintes nomes:
- Marcos Hiroyuki Sato
- Alex de Souza Leandro
- William Schmidt Agatz
- Juliano Flores Pacheco
- Raphael Limongi de Figueiredo
- Marcel Sarquis Moura
- Tiago Passucci Morani
- Carlos Alberto Costa
- Eric Consoli
- Rafael Gimenez Rodrigues
- David da Costa Faria Neto
- José Luiz Felício Filho
O que aponta a investigação sobre a queda do avião
De acordo com o Ministério Público Federal, o acidente teria sido resultado de uma combinação de falhas de manutenção e decisões administrativas que comprometeram a segurança das operações da companhia aérea.
A acusação sustenta que aeronaves continuavam voando mesmo diante de problemas técnicos. Também aponta que funcionários teriam sofrido pressão para deixar de registrar determinadas irregularidades.
No caso do voo PTB 2283, a investigação identificou problemas relacionados ao sistema de degelo da aeronave. Durante o trajeto, o avião enfrentou condições meteorológicas favoráveis à formação de gelo.
Segundo o MPF, a empresa tinha conhecimento de falhas nesse sistema havia pelo menos um ano. Para os investigadores, o cumprimento das normas de segurança poderia ter evitado o desastre.
Qual será o próximo passo do processo
Com o recebimento da denúncia, a Justiça Federal determinou que os 12 acusados sejam citados para apresentar resposta escrita à acusação no prazo de dez dias.
Conforme a decisão judicial, a pena prevista em abstrato para o enquadramento penal relacionado ao acidente, considerando as mortes, pode variar de oito a 24 anos de reclusão.
Outras quatro pessoas indiciadas durante a investigação firmaram acordos de não persecução penal e, por isso, não foram incluídas nessa ação.
O recebimento da denúncia marca o início da fase judicial do processo criminal. A decisão não representa uma condenação: a responsabilidade de cada acusado ainda será analisada pela Justiça.
Fonte Gabi Lira | Catve.com