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Idoso deve investir em treino com propriocepção para reduzir risco de queda.

O envelhecimento e crescimento da população com mais de 60 anos é uma tendência mundial. Por isso, cada vez mais se investe em entender o envelhecimento da população, quebrando-se paradigmas de que idosos são inativos ou que envelhecer representa adoecer.

Mas precisamos cuidar da qualidade de vida dos idosos e nunca podemos ignorar o aumento do risco de quedas que há nessa fase da vida. Isso é uma questão extremamente relevante de saúde pública, pois um tombo nessa faixa etária pode levar a diversos transtornos e complicações que se relacionam à mortalidade.

Segundo a OMS (Organização Mundial de Saúde), cerca de 30% das pessoas com mais de 65 anos caem ao menos uma vez por ano, sendo a maior parte das quedas em casa.

No envelhecimento, há, de fato, a deterioração fisiológica que pode levar a uma redução de capacidades físicas, como mudanças na composição de fibras musculares com a perda progressiva de fibras rápidas, responsáveis pelo tempo de reação e resposta rápidas, o que diminui a eficácia das estratégias motoras do equilíbrio corporal e de tempo de reação ao equilíbrio.

Há ainda mudanças do padrão de marcha ao caminhar, idosos tendem a diminuir o balanço dos braços, que ajudam no equilíbrio. Também tendem a ter menor capacidade de rotação da pelve e do apoio em um pé só, além de uma redução de acurácia visual. Enfim, uma série de mudanças que, de forma geral, aumentam o risco de um tombo, mas grande parte delas são reversíveis, passíveis de serem prevenidas ou tratadas.

A propriocepção e o equilíbrio como base para combater a queda.

Primeiro, vale entender o que é a propriocepção. Ela pode ser interpretada e simplificada como o feedback dos membros ao sistema nervoso central: a capacidade inconsciente de sentir o movimento e a posição de uma articulação no espaço. Simplificadamente, é capacidade de saber onde está uma parte do corpo sem precisar da visão —ao fechar os olhos, você continua sendo capaz de tocar os joelhos sem olhar para suas mãos, pois sempre sabe onde elas estão.

Esse feedback sobre a nossa posição no espaço e a “consciência” para responder e sentir os estímulos externos é chamada de propriocepção e ela informa ao cérebro como reagir rapidamente para proteger e alterar o movimento quando necessário.

Teste prático

Vamos tentar usar apenas o estímulo proprioceptivo e um pouco menos o seu estímulo visual —um desafio —, pois você irá perceber o quão dependente pode ser do visual para manter-se estável. Faça o teste abaixo apoiado, para não correr o risco de queda, e sob supervisão de uma pessoa que possa amparar você em caso de tontura.

FASE 1 Olhos abertos. Em pé (encostado na parede, se necessário), mantenha os pés unidos e observe como você está posicionado. Você está oscilando? Estável? Com os pés firmes? Preste atenção no posicionamento dos seus membros e do tronco. Conte 8 segundos. Como se saiu em relação ao seu equilíbrio?

FASE 2 Olhos fechados. Agora, na mesma posição da fase 1, feche levemente seus olhos e observe seu equilíbrio. Conte 8 segundos. O posicionamento anterior e sua estabilidade se mantiveram? Você ficou tenso? Ou com joelhos ou tornozelos oscilando?

Foi mais fácil se manter firme com olhos abertos ou fechados?

Saiba que 99,9% das pessoas dirão que é muito melhor se manter estável de olhos abertos. Agora, pense na importância da propriocepção conforme estamos em pé e precisamos manter nosso equilíbrio e segurança articular. Pense também que as quedas de forma geral ocorrem em casa, ao usar o banheiro, levantar no meio da noite para beber água etc.

Revisões sistemáticas têm apontado que programas de atividade física são capazes de aumentar o equilíbrio de idosos e prevenir quedas. Estudos mostram que a inserção de atividades físicas promove melhorias de até 42% em comparação às avaliações iniciais em pessoas 60+ sem qualquer tipo de atividade.

De acordo com a fisioterapeuta doutorada pela Unifesp e pós-graduada em geriatria e gerontologia Renata Luri, ”na prática clínica há diversos exercícios que podem ser feitos como estratégia para melhorar o equilíbrio. Testes práticos que progridem e evoluem para aprimorar essa capacidade proprioceptiva.

No idoso, há a prioridade em se trabalhar esse tipo de exercício, focando em prevenção de quedas e evitando complicações decorrentes. O equilíbrio é multifatorial e pode ser efetivamente melhorado por diferentes meios de treinamento físico.

Os exercícios abrangem também lapidar o nível de atenção em idosos de forma progressiva, com atividades e movimentos habituais da rotina da pessoa, como realizar exercícios de equilíbrio em superfícies instáveis, associando-os com dupla-tarefa, como andar lembrando-se de nomes de produtos do mercado, subir escadas conversando, entre outras, que se relacionam à qualidade de vida de forma bem funcional”.

É fundamental promover a atividade física no idoso tanto para prevenção quanto para o tratamento de problemas que afetam a saúde e a qualidade de vida.

Atenção! Para tratamento ou prevenção é importante o acompanhamento de profissionais de saúde, que vão dar a orientação adequada exercícios utilizados para recuperação.

Com informações UOL

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